Breve explicação.Bruno António realçou um vídeo muito interessante de Michael Ruppuert, cujo título é Collapse, vídeo que infelizmente está disponível apenas em língua original (com legendas em espanhol). O mesmo Bruno pediu algumas notas acerca do petróleo, pois Collapse fala do possível fim do precioso líquido.
Então reparei que nunca falámos de forma exaustiva acerca deste assunto.
É grave? É gravíssimo.
Há ainda esperanças? Talvez.
Não estão interessados? Maus.
Começa portanto aqui uma breve viagem no mundo do petróleo que poderá também contar (espero) com a intervenção de Debora Billi, jornalista italiana membro do Aspo (a associação que trata da questão do Peak Oil) e autora do blog Petrolio.
Mas vamos com ordem.
Nós e o petróleo
Uma camisa de poliéster, um dentífrico, um fertilizante, uma lata de tinta, uma caneta, um rimmel, um amaciador para roupa, um creme para as mãos secas, uma embalagem de cola, um par de sapatos, um móvel para a cozinha, um computador, um jogo para crianças, o adoçante para os bolos, a insulina, um frigorífico, um antibiótico: o que têm em comum todas estas coisas? O petróleo.
A nossa vida sem petróleo seria diferente. Aliás, seria outra vida mesmo.
Cerca de 40% de toda a energia "capturada" pelos seres humanos provém do petróleo. Mas o petróleo é presente sob outras formas também:
- produtos de vestuário: 90% das meias, das cuecas, dos sapatos, das calças, das camisas é de fibra sintética ou outros produtos petrolíferos, pois não há ovelhas (lã) ou campos de algodão suficiente para vestir 2 biliões de pessoas, imaginem 7 biliões...
- produtos para a casa e escritório: 90% do que utilizamos nas nossas casas ou escritórios é um derivado do petróleo, pois não há madeira ou metais suficiente para fazer tudo. É por isso que costumamos utilizar o plástico. Até os móveis feitos com aglomerados de madeira utilizam o petróleo nas colas.
- equipamentos eléctricos e electrónicos: não apenas o revestimento dos fios, mas os mesmos componentes fazem uso de plástico. Pensem nas televisões, nas rádios, nos computadores...
- mecânica? Óleos, gorduras, juntas, borrachas, silicone, reservatórios...
- adoçantes sintéticos: custam 1/100 em relação ao verdadeiro açúcar.
- tintas: tintas e diluentes são todos produtos petrolíferos.
- higiene: sabão em pó, sabão líquido, vários produtos de limpeza, perfumes, desodorizantes...
- saúde: 99% dos medicamentos são produzidos quimicamente a
partir do petróleo, incluindo a insulina para diabéticos, medicamentos
que salvam vidas e até antibióticos.
agricultura: herbicidas, pesticidas, fertilizantes. - comida: conservantes, frigoríficos, embalagens, tudo com base no petróleo.
- produtos não derivados do petróleo: até os objectos de origem natural são produzidos com máquinas que desfrutam o petróleo.
- aquecimento e refrigeração.
- e, naturalmente, transportes: automóveis, aviões, navios, comboios...
Tudo isso é petróleo. As nossas vidas estão mergulhadas nos produtos petrolíferos.
E se o petróleo acabasse?
Calma: antes de falar disso vamos conhecer um pouco melhor o "ouro negro". E fiquem descansados, nada de química ou coisas complicadas. Só para perceber do que estamos a falar.
O óleo da pedra
Petróleo é uma palavra latina que deriva dos termos petrae (da pedra) e oleum (óleo): portanto, óleo de pedra. E este óleo de pedra acompanha a história do homem há séculos: os povos antigos conheciam os depósitos superficiais de petróleo, usados para produzir medicamentos, betume e combustíveis para lâmpadas.
Havia também utilizações bélicas do petróleo (petróleo e guerra, desde os tempos antigos). Já na Ilíada, Homero conta a história dum "fogo eterno" lançado contra os navios gregos e o "fogo grego" dos Bizantinos era uma arma feita com petróleo, enxofre, nitrato de potássio e resina, atirada com setas.
O petróleo era também conhecido no antigo Oriente Médio, como confirma Marco Polo nas suas Viagens. Mais tarde, o petróleo foi introduzido no Ocidente principalmente como medicamento, seguindo o expansionismo árabe.
Mas até o final do século XIX, a utilização do petróleo foi sem dúvida secundária. As coisas mudam com o nascimento da industria petrolífera nos Estados Unidos (Edwin Drake, Pennsylvania, 1859): a partir do primeiro poço, a história do petróleo será sempre um continuo crescimento e se por volta de 1950 o carvão ainda era o combustível mais utilizado do mundo, já no final do séc. XX 90% da energia provem do petróleo.
O hidrocarboneto
Sim tudo bem: mas o que é o petróleo?
Muito simplesmente, o petróleo é um hidrocarboneto natural, isso é, um composto químico constituído por carbono, hidrogénio, oxigénio, nitrogénio e enxofre.
Na verdade existem vários tipos de petróleo, a segunda do relacionamento entre que os vários componentes que acabámos de listar. Eis os componentes principais e as quantidades mínimas e máximas que podem ser encontradas nos vários tipo de petróleo:
Carbono (C): min. 83% max 87%
Hidrogénio (H): min 11.4% max 11.8%
Enxofre (S): min. 0.05% max 8%
Nitrogénio (N): min. 0.02% max 1.3%
Oxigénio (O): min. 0.05% max 3%
Mas não vamos complicar: o petróleo é sempre um hidrocarboneto natural.
O que leva à primeira grande pergunta: como se forma o petróleo?
As duas teorias
Assim, o petróleo é muito importante na nossa sociedade, demasiado importante: irá acabar?
Antes de procurar a resposta temos que falar de como o petróleo é formado, pois o futuro das explorações depende da origem delas.
Actualmente existem duas teorias para explicar o nascimento do petróleo: uma, a mais popular, afirma que o ouro negro tem origem na decomposição de material orgânico, outra, a assim chamada teoria abiótica, afirma pelo contrário que o material orgânico não intervém no ciclo.
Informação Incorrecta já tratou no passado do assunto (O Petróleo Inesgotável), mas dados que as implicações são profundas, vale a pena aprofundar o discurso. O que está em jogo é a nossa sociedade, tal como a conhecemos, e o futuro dela. E não se trata dum futuro longínquo: se o Peak Oil (o pico da exploração) tivesse já sido alcançado (ou ultrapassado, como afirmam os apoiantes da teoria), o mundo iria mudar de forma radical no prazo de poucas décadas, talvez até antes.
Comecemos com a teoria mais popular.
A teoria biogênica
A teoria biogênica do petróleo explica que o líquido é derivado da maturação térmica de matéria orgânica, que permaneceu enterrada (e, portanto, na ausência de oxigénio), ficou decomposta num material conhecido como pirobitume ou querogênio, o qual, em condições de alta temperatura e pressão, produz hidrocarbonetos.
Dito de outra forma: os restos de animais e plantas ficam enterrados ao longo de milhões de anos e produzem um material que, em presença de temperaturas e pressões elevadas, se transforma em hidrocarbonetos, entre os quais há o petróleo.
Uma vez produzidos, os hidrocarbonetos migram para cima (pois ainda estão bem enterrados) através de poros da rocha em virtude da baixa densidade. Se nada bloquear a migração, esta acaba na superfície da terra: e, de facto, o petróleo explorado na Antiguidade era tudo de proveniência superficial.
Na superfície, os componentes mais voláteis evaporam e permanece uma acumulação de betume, que é quase sólido à temperatura e a pressão normais. Caso clássico é aquele das areias betuminosas do Canada.
Todavia, ao longo da subida os hidrocarbonetos podem encontrar obstáculos, nomeadamente rocha impermeável: então teremos uma uma zona de acumulação, também chamada de "armadilha petrolífera ou reservatório".
Mas seria errado pensar em lagos e rios subterrâneos de hidrocarbonetos: como vimos, estes migram através dos poros das rochas, e, perante uma rocha impermeável, aí fica.
Esta, em extrema síntese, a teoria biogênica, que assume o material fóssil como componente originário de todo o petróleo na Natureza. É esta a teoria aceite pela comunidade científica.
As consequências são evidentes: se o petróleo for de origem fóssil, então o homem está a explorar algo que demorou milhões de anos para formar-se e cujas reservas são obrigatoriamente limitadas.
A teoria abiogênica
Muito simplesmente, a teoria abiogênica afirma que o petróleo não é o resultado da decomposição e da "maturação" de compostos orgânicos (os fósseis) mas, pelo contrário, é formado em profundidade, por processos não biológicos entre a camada superficial do planeta e as zonas inferiores (basicamente o manto, entre 30 e 2.900 quilómetros de profundidade).
Nesta óptica, o petróleo (e os hidrocarbonetos no geral) seria algo presente em grandes quantidades. Aliás, dado que a formação poderia nunca ter parado, segundo alguns o petróleo seria quase inexaurível.
Esta teoria não recolhe a simpatia da comunidade científica; mas quais são os indícios a favor?
Wikipedia recolhe uma extensa lista destes supostos indícios (coisa bastante esquisita...):
Campos de petróleo super-gigantes
O geólogo russo Nikolai Alexandrovitch Kudryavtsev, defensor da teoria abiogênica, argumentou que nenhum hidrocarboneto produzido em laboratório a partir de plantas se assemelha em composição química aos hidrocarbonetos naturais como o petróleo.
Além disso, observou que os reservatórios de petróleo em estratos sedimentares são frequentemente relacionados com expressivas fracturas ou falhas presentes imediatamente abaixo dos reservatórios, sinal que o petróleo pode desfrutar estas "quebras" para surgir de grandes profundezas. Observou também que o petróleo está presente, em grandes ou pequenas quantidades, em todos os níveis geológicos de muitas explorações, independentemente das condições de formação desses níveis (o que não faria sentido no caso de petróleo de origem fóssil, sendo este ligado à presença de material orgânico enterrado numa determinada época).
Kudryavtsev introduziu um número de outras importantes considerações, entre as quais:
- colunas de chamas têm sido observadas durante as erupções de alguns vulcões, às vezes atingindo 500 metros de altura (Sumatra, 1932);
- as erupções dos vulcões de lama (mud volcanoes) têm liberado tão enormes quantidades de metano que mesmo o mais prolífico campo de gás teria ficado vazio muito antes.
Metano e hidrocarbonetos extraterrestres
O gás metano e muitos outros hidrocarbonetos têm sido detectados em diversas regiões do sistema solar. Como justificar a presencia deste e dos outros hidrocarbonetos em lugares onde, oficialmente, não há vida (matéria orgânica em quantidade suficiente)?
Metano e outros hidrocarbonetos forma detectados nos seguintes lugares:Jupiter, Marte, Saturno (e satélites Japeto, Titão, Encédalo), Neptuno (e satélite Tritão), Úrano (e satélites Ariel, Miranda, Oberon, Titânia e Umbriel), Plutão, Cometa de Halley, Cometa Hyakutake, pó cósmica.
Abundância cósmica e planetária do carbono
O elemento carbono (que na teoria abiogência desenvolve um papel fundamental na criação dos hidrocarbonetos) é o quarto em ordem de abundância cosmológica, precedido apenas por hidrogénio (H), hélio (He) e oxigénio (O). O carbono disponível na nebulosa que originou o sistema solar foi incorporado na Terra no processo de agregação planetária, ficando retido no manto da Terra.
Existência de depósitos de hidrocarbonetos
As reservas convencionais de petróleo deveriam desaparecer no prazo de um milhão de anos, calculo baseado na taxa de hidrocarbonetos que atingem a superfície. Mesmo bloqueado pelas rochas impermeáveis, o petróleo poderia cedo ou tarde continuar o seu percurso rumo à superfície desfrutando dos movimentos naturais das placas tectónicas.
O facto de ainda ter existido (desde o princípio industrial da exploração) abundantes reservatórios subterrâneos parece surpreendente. Surpresa que deixa de existir no caos de reservatórios que se auto-alimentam com a continua produção de novos hidrocarbonetos.
Metano na Terra
O metano é um hidrocarboneto, supostamente de origem orgânica, mas presente no planeta em quantidades enormes. Talvez "demasiado" enormes.
Exemplo típico são os hidratos de metano que existem em condições de alta pressão nas planícies abissais dos oceanos, e cujo improvisa libertação no passado pode ter implicado grandes vagas de extinções.
Depósitos insólitos
Depósitos de hidrocarbonetos são encontrados em áreas condenadas pela tradicional teoria ortodoxa biogênica. Alguns campos de óleo no Vietnam e na Rússia "produzem" hidrocarbonetos a partir de reservatórios posicionados no granito ou em cristais de rocha. No caso do Vietnam (exploração White Tiger), não há nenhuma rocha que possa ser considerada como "fonte" abaixo do nível produtor, o que implicaria uma migração lateral de várias dezenas de quilómetros para poder criar o actual reservatório.
Este são apenas alguns dos indícios que suportam a teoria abiogênica. A lista completa pode ser encontrada neste link.
Mas fica já claro que a teoria tradicional está longe de ser a resposta definitiva: ninguém viu o petróleo formar-se a partir de fósseis ou de forma abiogênica, por enquanto temos teorias. Claro, não estamos perante um pormenor: no caso do petróleo fóssil, as reservas seriam fortemente limitadas, o que introduz o próximo assunto: o Peak Oil.
II
Muito bem.
Então até agora vimos que existem duas teorias acerca do petróleo: uma teoria biogénica (petróleo formado a partir de resíduos fósseis) e uma teoria abiogénica (sem restos fósseis).
As implicações são profundas, pois no primeiro caso o petróleo será um recurso limitado (existe até quando existirem reservas no subsolo), no segundo caso o petróleo não será um recurso limitado (existe e continuará a ser formado a partir de reacções químicas naturais).
Vamos aprofundar o discurso acerca do petróleo como recurso finito. Esta seria uma tragédia para a nossa sociedade, amplamente baseada na exploração do ouro negro: neste caos falamos da teoria de Hubbert, o geólogo que na década dos anos '50 formulou a hipótese do petróleo limitado.
Hubbert e o pico
Marion King Huibbert (1903 - 1989) era um geólogo americano. Nascido no Texas, formado na Universidade de Chicago, desde 1943 até 1964 trabalhou na companhia petrolífera Shell e como pesquisador pelo Unites States Geological Survey até 1976, além de ser professor de Geologia nas universidades de Stanford e de Berkeley.
Hubbert não tratou apenas de petróleo, mas é verdade que o marco da carreira dele foi a formulação duma lei que segue a evolução temporal da exploração de qualquer reserva fóssil. Observando a produção de carvão na Pennsylvania, Hubbert determinou que no início a exploração acontece apenas nas camadas superficiais e atinge o máximo da produção uma vez chegada à metade das reservas; a seguir a produção diminui de forma constante e são precisas tecnologias cada vez mais sofisticadas não para aumentar a produção mas para limitar o abrandamento dela.
Simplificando, Hubbert disse que as reservas fósseis cedo ou tarde acabam.
Utilizando a lei na área do petróleo extraído nos Estados Unidos, Hubbert fez a previsão (1956) de que no começo dos anos '70 os EUA teriam atingido o pico de produção.
Na altura poucos acreditaram nele, mas com a crise dos anos '70, quando os 48 Estados continentais dos EUA atingiram o pico, as coisas mudaram e Hubbert tornou-se o geólogo mais famoso do mundo.
Nos últimos anos, outros cientistas (Colin Campbell, Jean Laherrére, por exemplo) retomaram as previsões de Hubbert para tentar estabelecer o pico da produção mundial.
Vamos conhecer um pouco melhor a teoria de Hubbert? E vamos.
A teoria
A teoria de Hubbert não se aplica apenas a algo que irá acontecer no futuro. Pelo contrário, é uma descrição de casos históricos bem conhecidos. Mais do que uma vez que foi possível observar que a produção de um recurso finito segue uma tendência que tem a forma duma "curva de sino".
Historicamente, o primeiro caso foi a produção de óleo de baleia, nos Estados Unidos do século XIX. Outro caso é o da produção de carvão na Pensilvânia, como é possível observar no gráfico abaixo:
Mas o caso mais conhecido é aquele do petróleo dos Estados Unidos, onde a produção mostrou um pico muito claro em 1970.
Nos anos 60, como vimos, tinha sido o mesmo Hubbert a prever o pico dos Estados Unidos. Naquela época, tinha sido acusado de ser um visionário e um louco, mas logo as coisas mudaram. Em tempos mais recentes, um pico foi observado na produção de petróleo da União Soviética em 1990 e outro na produção de petróleo do Mar do Norte em 1999.
Nem sempre são observados picos e curvas em clara forma de sino. Em geral, pode-se dizer que a curva de Hubbert é observada quando a extracção do recurso ocorre em condições de livre mercado. Se isso não for o caso, devido por exemplo a intervenções do governo, criação de monopólios, oligopólios ou cartéis, guerras e/ou desastres naturais, então a curva pode ser irregular, mostrando vários pontos máximos. Este parece ser o caso da produção dos Países pertencentes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
As razões da curva
Inicialmente, a curva em forma de sino da produção foi proposta por Hubbert como um modelo puramente empírica. Mais tarde, foi possível esclarecer quais os motivos que determinam esse comportamento. O ciclo de Hubbert é o resultado lógico de como os factores económicos operam perante um recurso limitado fisicamente, que é o caso do recurso petrolífero. Dada esta característica, a curva em forma de sino de Hubbert é inevitável numa economia de mercado.
Podemos distinguir diferentes fases do ciclo de Hubbert:
- Primeira fase: expansão rápida. Inicialmente, o recurso é abundante, com custo modesto o suficiente para puxar os investimentos. Nesta fase, o crescimento de produção é exponencial.
- Segunda fase: o início da exaustão. As reservas "fáceis", ou as menos caras, são exploradas antes. Com o esgotamento destas, começa a ser necessário o uso de tecnologias mais complexa, que exigem investimentos mais substanciais. A produção continua a crescer, mas não exponencialmente.
- Terceira fase: o apogeu e o declínio. Numa certa altura, a reserva é tão fraca que já não justifica os investimentos. A produção atinge um máximo (o pico do petróleo) e depois começa a diminuir.
- Quarta fase: o declínio final. Nesta fase, normalmente não há investimentos mais significativos. A produção continua, mas o declínio continua até tornar-se tão reduzida que no fim é descontinuada.
A curva global do petróleo
Quando considerarmos a produção de
petróleo, é preciso primeiro esclarecer exactamente do que estamos a
falar: os especialistas nem sempre têm em mente a mesma coisa e há
diferentes tipos de recursos fósseis a partir dos quais podem ser
extraídos combustíveis líquidos.
Em primeiro lugar existe o assim
chamado petróleo "convencional", isto é, aquele que é extraído sob forma
de um líquido ligeiramente viscoso a partir de poços.
Além
disso, temos o petróleo "não convencional", que inclui vários tipos
tais como o petróleo bruto das "águas profundas" e o "óleo pesado".
Depois há as areias betuminosas.
Mas vamos falar do petróleo convencional, que representa de longe a fracção mais abundante da produção. Já vimos que algumas regiões do mundo alcançaram o respectivo pico petrolífero. Agora, eis os dados da produção mundial de petróleo:
No gráfico, podemos reconhecer uma fase inicial de crescimento exponencial rápido (cerca de 7% ao ano), interrompida pela "crise do petróleo" de 1973-1985 aproximadamente. Após esta fase, a produção começou a crescer a um ritmo muito mais lento, cerca de 1.5% por ano. Desde 2000, a produção não é aumentada ou aumentou de forma leve. Esta tendência pode ser interpretada como uma aproximação à fase do pico.
A previsão do pico global
Dos dados existentes pode ser
extrapolada "curva" para o futuro e a data prevista do pico. A seguir,
por exemplo, a interpretação do geólogo francês Jean Laherrere.
Neste caso, o pico do petróleo convencional é esperado, muito aproximadamente, por volta do ano 2005, enquanto que para o petróleo "não convencional" a data é aquela de 2070. A curva total, a soma dos dois recursos, atinge o seu pico por volta de 2010.
Outros especialistas chegaram a resultados semelhantes. A estimativa do geólogo britânico Colin Campbell, por exemplo, apresenta o pico de petróleo convencional por volta de 2005, enquanto que para todos os líquidos a data é de 2010.
Há muitas outras interpretações baseadas na teoria de Hubbert. A maioria estima a data do pico na primeira década do século XXI. Mas também há interpretações que partem dos mesmos dados geológicos e que chegam a estimativas mais optimista, com um pico por volta de 2030 ou ainda mais tarde.
Neste caso, o pico do petróleo convencional é esperado, muito aproximadamente, por volta do ano 2005, enquanto que para o petróleo "não convencional" a data é aquela de 2070. A curva total, a soma dos dois recursos, atinge o seu pico por volta de 2010.
Outros especialistas chegaram a resultados semelhantes. A estimativa do geólogo britânico Colin Campbell, por exemplo, apresenta o pico de petróleo convencional por volta de 2005, enquanto que para todos os líquidos a data é de 2010.
Há muitas outras interpretações baseadas na teoria de Hubbert. A maioria estima a data do pico na primeira década do século XXI. Mas também há interpretações que partem dos mesmos dados geológicos e que chegam a estimativas mais optimista, com um pico por volta de 2030 ou ainda mais tarde.
Todos concordam acerca do que podemos esperar com o pico: um aumento rápido dos preços do petróleo, bem como uma fase de instabilidade geopolítica. Ambas as condições são cumpridas no tempo presente, pelo que mais de um autor é da opinião de que poderíamos estar muito perto do pico, ou até já tê-lo ultrapassado. No entanto, será possível afirma-lo com certeza nos próximos anos.
A grande transição
O que esperamos que aconteça exactamente na "terra incógnita" do pós-pico? O facto do pico ser um evento bem definido deu origem a várias interpretações: hoje o petróleo representa 40% da energia primária e 90% da energia utilizada pelos transportes. Mas não há só isso: há os derivados do petróleo, como plásticos, medicamentos, até vestuário.
O fim do petróleo, se verdadeiro, traria profundas mudanças na nossa sociedade.
Quanto profundas? É o que veremos na terceira parte.
III
Vimos o petróleo biogénico, o petróleo abiogénico; vimos a teoria de Hubbert e o pico do petróleo.
Mas que aconteceria se o ouro negro acabasse?
Ao deixar uma grande cidade qualquer, atravessamos quilómetros de bairros dormitórios: aglomerados crescidos à volta das cidades, onde as pessoas voltam à noite para descansar.
Muitas vezes são lugares anónimos, com péssimos serviços e preços baratos, muito mais baratos do que os homólogos da cidade.
Tudo isso desapareceria se o petróleo acabasse.
O Capitalismo globalizado, o actual sistema de consumo ilimitado, propiciou altas concentrações de pessoas nas grandes cidades, muitas vezes mal planeadas em relação às necessidades básicas dos cidadãos. Um êxodo rural que é bem documentado, o desenvolvimento paralelo da Revolução Industrial, que ocorreu na segunda metade do século XX.
Esta migração favoreceu o crescimento das cidades ao redor do mundo: o surgimento de aglomerações, megalópoles, as chamadas comunidades-dormitório e até mesmo a presença de periféricos bairros marginais, onde sobrevivem os "párias" do sistema.
Na verdade, o estereótipo da grande cidade, com estradas congestionadas por carros, arranha-céus e lojas cheias de estilo, é um dos protótipos que a indústria cinematográfica e os meios de comunicação alimentaram como um símbolo de progresso. É um dos padrões da globalização: uma definição de como cada um de nós deve viver para ficar rico, civilizado, ocidental.
Naturalmente não passa disso, dum protótipo: os habitantes da zona de Lisboa podem visitar um bairro como Baixa da Banheira para perceber qual a realidade. Nada de lojas com estilo, nada de arranha-céus: sobra apenas o trânsito e prédios que caem em pedaços, numa zona cujo crescimento ignorou os elementos básicos para que um lugar possa ser definido como "habitável".
Mas sem recorrer a exemplos extremos como Baixa da Banheira, é suficiente observar as muitas localidades perto de Lisboa: Loures, Odivelas, Cacém, Rinchoa, Massamá, São Marcos. Todas as grandes cidades do mundo têm bairros como estes.
São "cidades nas cidades", que podem entrar em colapso de repente, quase dum dia para outro.
Mas um passo de cada vez.
Espreitemos as notícias dos últimos meses: Iraque, Líbia, Irão. Que têm em comum estes Países? O petróleo. Não apenas o petróleo, claro, há muito mais do que isso. Mas sabemos que a corrida para a posse das maiores explorações petrolíferas não é coisa nova.
Em ordem cronológica, temos Líbia e Irão que, além do ouro negro, têm outra riqueza: o gás. Pode ser este um dos novos objectivos do Império? Pode bem ser, sobretudo se a teoria do Peak Oil estivesse certa. E o gás pode ser , com algumas limitações, o próximo "petróleo", indispensável para que os Estados possam continuar a fornecer os serviços básicos: como um bom hospital, como uma rede eléctrica, uma escola funcional.
Coisas que encontramos nas grandes cidades. Não que nas aldeias não existam: só que numa aldeia é normal ter o ensino básico, um hospital no raio de poucas dezenas de quilómetros, uma ligação internet mais fraca.
E aqui encontramos um paradoxo: no contexto duma possível crise energética, o nosso estilo de vida pode mudar radicalmente dependendo do lugar onde vivemos. De repente, o que antes oferecia oportunidades, conforto e escolha, pode tornar-se um problema, um beco sem saída. O Estado social entra em risco e, talvez, terá de ser profundamente redefinido.
Pensemos nas "pequenas" coisas do mundo urbano de hoje. Porque há as sedes das grandes empresas internacionais nas nossas cidades? Porque temos a fibra óptica? Porque podemos comprar frutas da Ásia ou porque ao abrir a torneira sai água? Estamos todos urbanizados, adaptados ao que a cidade oferece, sem parar para pensar acerca da razão de tudo isso, porque as coisas são assim.
Parar e pensar significa ficar preocupado: porque este mundo urbano é intolerável castelo de papel construído com energia abundante e barata. E esta energia tem um nome: petróleo.
As pessoas pegam no carro para ir trabalhar, e pegar no carro significa utilizar petróleo.
Os alimentos vêm de longe, como muitos outros produtos, chegam a bordo de camiões ou de navios de grande porte que percorrem as vias marítimas. Isso é: petróleo.
Tudo este crescimento, neste estranho período da história humana, é possível graças aos produtos petrolíferos, abundantes e baratos. Por enquanto. Mas se assim deixasse de ser?
O nosso tecno-optimismo não deixa ver outra das possibilidades: as metrópoles tornadas insustentáveis, sem possibilidade dum adequado abastecimento. Nada de água, nada de roupa, nada de comida ou serviços básicos. Para que isso aconteça não é precisa uma guerra: é só deixar acabar o petróleo.
A Agência Catalana del Agua (Espanha) tem a responsabilidade de sanear as águas da Catalunha. Mas em tempos de crise já não há o dinheiro suficiente para adquirir os produtos químicos derivados do petróleo e utilizados nas obras de saneamento: Esa interrupción podría incidir "de forma especial en el saneamiento de las aguas residuales" y crear una eventual situación que comportaría graves afecciones en los ríos y abastecimientos, "poniendo en riesgo la salud de la población" é possível ler no relato do diário La Vanguarda. E volta o espectro da cólera, algo esquecido ao longo de muito tempo.
Vimos quais os pontos fracos das grandes cidades. Mas que dizer das aldeias? Ou das ilhas?
Na verdade a situação não tão melhor, porque também aí a vida foi adaptada aos recursos energéticos abundantes e baratos: quem cultiva hoje em dia sem máquinas agrícolas, sem pesticidas, sem anti-parasitários? Quem vive sem electricidade? Sem aquecimento? Sem telefones? Sem internet? Resposta: poucos, muito poucos.
O petróleo, com os seus produtos derivados, tomou conta da nossa sociedade, não apenas nos grandes aglomerados urbanos mas até nas campanhas, onde deveria ser mais próximo o contacto com soluções naturais.
E tudo isso sem considerar um outro aspecto: as guerras. Porque passar dum sistema baseado nos hidrocarbonetos para outro (mas qual?) requer tempo, e em caso de crise petrolífera final seriam as necessidades impelentes a ditar as escolhas políticas e militares.
Países com reservas de petróleo, para os quais a guerra é hoje algo de distante, podem tornar-se um possível alvo amanhã, com consequências catastróficas que é possível apenas vislumbrar.
E sem pensar em choques entre Nações, podemos pensar nas revoltas que surgiriam por causa da escassez de géneros de primeira necessidades. Pensemos por exemplo na falta duma coisa tão simples como o pão. No post anterior vimos como a simples subida do preço dum metal como o cobre (que ainda não está acabado) pode determinar roubos e até mortes. E o cobre não está na base da nossa sociedade, tal como acontece com o petróleo.
Mas esquecemos o assunto violência por enquanto e vamos falar de assuntos mais próximos.
Discutir qual poderia ser o volume ideal de pessoas que vivem numa cidade pode ser inútil: a natureza humana e o nosso mundo heterogéneo encontrarão soluções diferentes nos vários casos. Em cada região, dependendo do estilo de vida dos cidadãos, será possível acomodar um número determinado de pessoas, com mais ou menos dignidade.
As grandes cidades serão provavelmente divididas em distritos ou bairros mais independentes, mais ou menos capazes de gerir a própria condição de forma autónoma. Neste aspecto, muito dependerá da capacidade de cooperar para resolver os problemas ligados à comida, aos serviços, ao trabalho.
Normal será a redução de habitantes das grandes cidades, dada a reduzida capacidade destas em proporcionar elementos básicos pela sobrevivência da pessoas. O que cria um grande problema: qual o destino de quem decidirá abandonar as cidades? "A campanha" parece ser a resposta mais óbvia, como se isso fosse simples...
Também normal prever a desertificação de áreas que hoje conseguem acomodar grandes comunidades apenas graças aos serviços como a distribuição de água potável. Mas este é apenas um dos problemas: o tratamento das fossas sépticas será também uma prioridade.
Um cenário demasiado pessimista? Ou distante no tempo?
A verdade é que ninguém tem a resposta definitiva: ninguém sabe ao certo se o petróleo for um recurso limitado ou não, ninguém sabe ao certo quanto petróleo estará disponível ao longo de quanto tempo. A única coisa que sabemos, com certeza absoluta, é que o nosso mundo é actualmente indissoluvelmente ligado ao petróleo a aos derivados dele. E que o fim deste recurso significaria o fim do mundo tal como conhecido até hoje, pois uma fonte de energia tão barata, tão difundida e com as mesmas potencialidade ainda não existe (nem o gás).
Então, que fazer? Afinal poucos tratam destes problemas, escassas são as notícias nos media; e isso apesar destas considerações nascer duma pergunta simples e natural: e se o petróleo acabasse?
A solução é complicadamente simples: mudar os nosso hábitos. Começar a reestruturar as cidades, os serviços, enfatizar a procura de fontes de energias alternativas, reaproximar-se dos princípios básico da Natureza. Os mesmo que o Homem utilizou ao longo de milhares de anos para viver, antes da exploração do petróleo.
Como afirmado: complicadamente simples.
Ipse dixit.
Fontes: La Vanguardia, CrashOil, Petrolio, Wikipedia, Youtube, AspoItalia, EcPlanet
Mas que aconteceria se o ouro negro acabasse?
Ao deixar uma grande cidade qualquer, atravessamos quilómetros de bairros dormitórios: aglomerados crescidos à volta das cidades, onde as pessoas voltam à noite para descansar.
Muitas vezes são lugares anónimos, com péssimos serviços e preços baratos, muito mais baratos do que os homólogos da cidade.
Tudo isso desapareceria se o petróleo acabasse.
O Capitalismo globalizado, o actual sistema de consumo ilimitado, propiciou altas concentrações de pessoas nas grandes cidades, muitas vezes mal planeadas em relação às necessidades básicas dos cidadãos. Um êxodo rural que é bem documentado, o desenvolvimento paralelo da Revolução Industrial, que ocorreu na segunda metade do século XX.
Esta migração favoreceu o crescimento das cidades ao redor do mundo: o surgimento de aglomerações, megalópoles, as chamadas comunidades-dormitório e até mesmo a presença de periféricos bairros marginais, onde sobrevivem os "párias" do sistema.
Na verdade, o estereótipo da grande cidade, com estradas congestionadas por carros, arranha-céus e lojas cheias de estilo, é um dos protótipos que a indústria cinematográfica e os meios de comunicação alimentaram como um símbolo de progresso. É um dos padrões da globalização: uma definição de como cada um de nós deve viver para ficar rico, civilizado, ocidental.
Naturalmente não passa disso, dum protótipo: os habitantes da zona de Lisboa podem visitar um bairro como Baixa da Banheira para perceber qual a realidade. Nada de lojas com estilo, nada de arranha-céus: sobra apenas o trânsito e prédios que caem em pedaços, numa zona cujo crescimento ignorou os elementos básicos para que um lugar possa ser definido como "habitável".
Mas sem recorrer a exemplos extremos como Baixa da Banheira, é suficiente observar as muitas localidades perto de Lisboa: Loures, Odivelas, Cacém, Rinchoa, Massamá, São Marcos. Todas as grandes cidades do mundo têm bairros como estes.
São "cidades nas cidades", que podem entrar em colapso de repente, quase dum dia para outro.
Mas um passo de cada vez.
Porque sai água?
Espreitemos as notícias dos últimos meses: Iraque, Líbia, Irão. Que têm em comum estes Países? O petróleo. Não apenas o petróleo, claro, há muito mais do que isso. Mas sabemos que a corrida para a posse das maiores explorações petrolíferas não é coisa nova.
Em ordem cronológica, temos Líbia e Irão que, além do ouro negro, têm outra riqueza: o gás. Pode ser este um dos novos objectivos do Império? Pode bem ser, sobretudo se a teoria do Peak Oil estivesse certa. E o gás pode ser , com algumas limitações, o próximo "petróleo", indispensável para que os Estados possam continuar a fornecer os serviços básicos: como um bom hospital, como uma rede eléctrica, uma escola funcional.
Coisas que encontramos nas grandes cidades. Não que nas aldeias não existam: só que numa aldeia é normal ter o ensino básico, um hospital no raio de poucas dezenas de quilómetros, uma ligação internet mais fraca.
E aqui encontramos um paradoxo: no contexto duma possível crise energética, o nosso estilo de vida pode mudar radicalmente dependendo do lugar onde vivemos. De repente, o que antes oferecia oportunidades, conforto e escolha, pode tornar-se um problema, um beco sem saída. O Estado social entra em risco e, talvez, terá de ser profundamente redefinido.
Pensemos nas "pequenas" coisas do mundo urbano de hoje. Porque há as sedes das grandes empresas internacionais nas nossas cidades? Porque temos a fibra óptica? Porque podemos comprar frutas da Ásia ou porque ao abrir a torneira sai água? Estamos todos urbanizados, adaptados ao que a cidade oferece, sem parar para pensar acerca da razão de tudo isso, porque as coisas são assim.
Parar e pensar significa ficar preocupado: porque este mundo urbano é intolerável castelo de papel construído com energia abundante e barata. E esta energia tem um nome: petróleo.
O mundo do petróleo e o tecno-optimismo
As pessoas pegam no carro para ir trabalhar, e pegar no carro significa utilizar petróleo.
Os alimentos vêm de longe, como muitos outros produtos, chegam a bordo de camiões ou de navios de grande porte que percorrem as vias marítimas. Isso é: petróleo.
Tudo este crescimento, neste estranho período da história humana, é possível graças aos produtos petrolíferos, abundantes e baratos. Por enquanto. Mas se assim deixasse de ser?
O nosso tecno-optimismo não deixa ver outra das possibilidades: as metrópoles tornadas insustentáveis, sem possibilidade dum adequado abastecimento. Nada de água, nada de roupa, nada de comida ou serviços básicos. Para que isso aconteça não é precisa uma guerra: é só deixar acabar o petróleo.
A Agência Catalana del Agua (Espanha) tem a responsabilidade de sanear as águas da Catalunha. Mas em tempos de crise já não há o dinheiro suficiente para adquirir os produtos químicos derivados do petróleo e utilizados nas obras de saneamento: Esa interrupción podría incidir "de forma especial en el saneamiento de las aguas residuales" y crear una eventual situación que comportaría graves afecciones en los ríos y abastecimientos, "poniendo en riesgo la salud de la población" é possível ler no relato do diário La Vanguarda. E volta o espectro da cólera, algo esquecido ao longo de muito tempo.
Vimos quais os pontos fracos das grandes cidades. Mas que dizer das aldeias? Ou das ilhas?
Na verdade a situação não tão melhor, porque também aí a vida foi adaptada aos recursos energéticos abundantes e baratos: quem cultiva hoje em dia sem máquinas agrícolas, sem pesticidas, sem anti-parasitários? Quem vive sem electricidade? Sem aquecimento? Sem telefones? Sem internet? Resposta: poucos, muito poucos.
O petróleo, com os seus produtos derivados, tomou conta da nossa sociedade, não apenas nos grandes aglomerados urbanos mas até nas campanhas, onde deveria ser mais próximo o contacto com soluções naturais.
E tudo isso sem considerar um outro aspecto: as guerras. Porque passar dum sistema baseado nos hidrocarbonetos para outro (mas qual?) requer tempo, e em caso de crise petrolífera final seriam as necessidades impelentes a ditar as escolhas políticas e militares.
Países com reservas de petróleo, para os quais a guerra é hoje algo de distante, podem tornar-se um possível alvo amanhã, com consequências catastróficas que é possível apenas vislumbrar.
E sem pensar em choques entre Nações, podemos pensar nas revoltas que surgiriam por causa da escassez de géneros de primeira necessidades. Pensemos por exemplo na falta duma coisa tão simples como o pão. No post anterior vimos como a simples subida do preço dum metal como o cobre (que ainda não está acabado) pode determinar roubos e até mortes. E o cobre não está na base da nossa sociedade, tal como acontece com o petróleo.
Cidades mais pequenas
Mas esquecemos o assunto violência por enquanto e vamos falar de assuntos mais próximos.
Discutir qual poderia ser o volume ideal de pessoas que vivem numa cidade pode ser inútil: a natureza humana e o nosso mundo heterogéneo encontrarão soluções diferentes nos vários casos. Em cada região, dependendo do estilo de vida dos cidadãos, será possível acomodar um número determinado de pessoas, com mais ou menos dignidade.
As grandes cidades serão provavelmente divididas em distritos ou bairros mais independentes, mais ou menos capazes de gerir a própria condição de forma autónoma. Neste aspecto, muito dependerá da capacidade de cooperar para resolver os problemas ligados à comida, aos serviços, ao trabalho.
Normal será a redução de habitantes das grandes cidades, dada a reduzida capacidade destas em proporcionar elementos básicos pela sobrevivência da pessoas. O que cria um grande problema: qual o destino de quem decidirá abandonar as cidades? "A campanha" parece ser a resposta mais óbvia, como se isso fosse simples...
Também normal prever a desertificação de áreas que hoje conseguem acomodar grandes comunidades apenas graças aos serviços como a distribuição de água potável. Mas este é apenas um dos problemas: o tratamento das fossas sépticas será também uma prioridade.
Um cenário demasiado pessimista? Ou distante no tempo?
A verdade é que ninguém tem a resposta definitiva: ninguém sabe ao certo se o petróleo for um recurso limitado ou não, ninguém sabe ao certo quanto petróleo estará disponível ao longo de quanto tempo. A única coisa que sabemos, com certeza absoluta, é que o nosso mundo é actualmente indissoluvelmente ligado ao petróleo a aos derivados dele. E que o fim deste recurso significaria o fim do mundo tal como conhecido até hoje, pois uma fonte de energia tão barata, tão difundida e com as mesmas potencialidade ainda não existe (nem o gás).
Então, que fazer? Afinal poucos tratam destes problemas, escassas são as notícias nos media; e isso apesar destas considerações nascer duma pergunta simples e natural: e se o petróleo acabasse?
A solução é complicadamente simples: mudar os nosso hábitos. Começar a reestruturar as cidades, os serviços, enfatizar a procura de fontes de energias alternativas, reaproximar-se dos princípios básico da Natureza. Os mesmo que o Homem utilizou ao longo de milhares de anos para viver, antes da exploração do petróleo.
Como afirmado: complicadamente simples.
Ipse dixit.
Fontes: La Vanguardia, CrashOil, Petrolio, Wikipedia, Youtube, AspoItalia, EcPlanet





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