quarta-feira, 5 de maio de 2010

Boas notícias: a British Petroleum teve duas ideias para resolver a maior catástrofe ambiental do Golfo do México e da História.
A primeira: uma enorme cúpula de 70 toneladas que será posta acima do ponto de esvaziamento.
Pensamos em descarregar a cúpula amanhã (hoje, NDA) e esperamos ter o sistema instalado e operando no prazo de uma semana
disse o chefe de operações da BP, Doug Suttles.

A enorme cúpula, de 70 toneladas, será instalada no fundo do mar, sobre o local do vazamento, "e nos permitirá reunir o petróleo e bombea-lo, por um encanamento, até um navio chamado 'Enterprise' na superfície".

Enterprise? Tinha que ser.
Uma semana? Uma semana???

Observem estas imagens:

 
Representam a expansão da maré negra desde Quinta-feira até Domingo: 4 dias. E agora teremos que esperar ainda uma semana?
Não, em verdade três meses. Pois o ponto do poço que deita o ouro negro no oceano ainda não foi individuado. E a BP afirma que 3 são os meses que provavelmente irão ser precisos para esta tarefa.

Mas a BP vai além disso e já preparou contra-medidas..
Instituiu um número especial para que todos os pescadores da zona afectada possam ligar: a BP irá assumi-los imediatamente e as novas forças serão utilizadas no combate à maré negra.
Boa ideia.
Pena que para isso os pescadores tenham que assinar um documento com o qual abdicar de qualquer indemnização, presente ou futura. 

E, do ponto de vista da BP, isso até faz sentido.
Em termos de responsabilidade quero que fique claro: não foi um acidente causado por nós, mesmo que seja da nossa responsabilidade resolver o problema da perda.
afirma Tony Hayward, administrador da petrolífera. A culpa não é deles. Foi do triste e cruel fado? Não, foi da Transocean, dona das ferramentas utilizadas na plataforma Deepwater Horizon.

E quem é a Transocean? É uma companhia suíça que opera em vários locais do mundo. Onde houver petróleo há Transocean também. Uma companhia com ideias claras:
A nossa visão de segurança: as nossas operações serão conduzidas num ambiente de trabalho livre de incidentes - o tempo todo, em todos os lugares.
é possível ler no site da empresa.
E que diz a Transocean?
Esperamos ter todos os dados antes de tirar conclusões
Claro. Agora é cedo. Assumir as responsabilidades? Calma, há tempo. Afinal de quem era o relatório do ano passado que até excluía qualquer hipótese de acidente da Deepwater Horizon?

A coisa triste é que BP tem razão: a culpa não é deles, e nem da Transocean. A culpa é duma sociedade que quer petróleo, sempre e cada vez mais, sem pensar nos custos que esta procura pode ter.

Por enquanto temos que esperar. E confiar na cúpula e, óbvio, no trabalho da Enterprise.

Ipse dixit


Fontes: ABC, APF, Petrolio, Ansa, Transocean

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